Aprendizagem clínica interativa

Laboratório de Testes Diagnósticos

Professor Anderson Lineu

Do desempenho do teste à decisão clínica

Altere os parâmetros e acompanhe todas as medidas em tempo real.

Interpretação do resultado individual

—valor preditivo positivo
—

O que ocorre nesta população

Frequências naturais esperadas.

ResultadoDoençaSem doençaTotal
Teste positivoVerdadeiro positivo—Falso positivo——
Teste negativoFalso negativo—Verdadeiro negativo——
Total———

Mapa dos desfechos

Cada cor é uma parcela da população simulada.

Verdadeiros positivos (VP)—
Falsos positivos (FP)—
Falsos negativos (FN)—
Verdadeiros negativos (VN)—

Cenário A × cenário atual

Mude os controles para criar o cenário B e observe o que mudou ou permaneceu igual.

Entenda os cálculos e veja outras medidas
VPP = VP ÷ (VP + FP)
VPN = VN ÷ (VN + FN)
RV+ = sensibilidade ÷ (1 − especificidade)
RV− = (1 − sensibilidade) ÷ especificidade
Acurácia = (VP + VN) ÷ total = —
Taxa de falso positivo = 1 − especificidade = —
Taxa de falso negativo = 1 − sensibilidade = —
Probabilidade de doença após negativo = 1 − VPN = —
Referências dos exemplos de HIV

Fontes utilizadas nos exemplos de rastreio e confirmação da infecção pelo HIV apresentados nesta simulação.

Parâmetros configurados no simulador

Parâmetro Etapa 1: rastreio
(IE4G / Teste Rápido 1)
Etapa 2: confirmação
(Carga Viral / Western Blot)
Probabilidade pré-teste da etapa 0,4% prevalência estimada na população geral brasileira
ou 1,0% no cenário didático alternativo
44,5% após rastreio iniciado em 0,4%
ou 66,8% após rastreio iniciado em 1,0%
Sensibilidade 99,8% 99,8%*
Especificidade 99,5% 99,9%*

Como interpretar a passagem entre as etapas: 44,5% e 66,8% são os valores preditivos positivos do rastreio nos dois cenários e passam a representar a probabilidade pré-teste entre as pessoas encaminhadas para confirmação. Não são novas prevalências populacionais. * Na etapa 2, sensibilidade de 99,8% e especificidade de 99,9% são parâmetros didáticos do algoritmo confirmatório, e não estimativas extraídas conjuntamente de um único ensaio.

1. Prevalência do HIV no Brasil

Fonte oficial: Boletim Epidemiológico HIV/Aids, Ministério da Saúde do Brasil, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Consultar fonte ↗

Fonte complementar: página oficial de Prevenção Combinada do HIV, Ministério da Saúde. Consultar fonte ↗

Dado utilizado: a prevalência estimada do HIV na população geral brasileira é de 0,4%.

2. Desempenho do teste de 4ª geração — rastreio

Fonte oficial: Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, Ministério da Saúde do Brasil, Departamento de HIV/Aids. Consultar fonte ↗

Artigo de suporte: ALEXANDER, T. S. Human Immunodeficiency Virus Diagnostic Testing: 30 Years of Evolution. Clinical and Vaccine Immunology, v. 23, n. 4, p. 249–253, 2016. DOI ↗

Dado utilizado: imunoensaios de 4ª geração, que detectam o antígeno p24 e anticorpos anti-HIV, apresentam sensibilidade entre 99,7% e 100% e especificidade entre 99,5% e 99,8%.

3. Desempenho dos testes confirmatórios

Fonte oficial brasileira: Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, Ministério da Saúde do Brasil. Consultar fonte ↗

Referência do algoritmo: CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION; ASSOCIATION OF PUBLIC HEALTH LABORATORIES. Laboratory Testing for the Diagnosis of HIV Infection: Updated Recommendations. Atlanta: CDC, 2014. Consultar fonte ↗

Parâmetros adotados: sensibilidade de 99,8% e especificidade de 99,9% representam um cenário didático de elevada performance para a etapa confirmatória. A recomendação do CDC descreve uma sequência de testes — diferenciação de anticorpos HIV-1/HIV-2 e, quando necessário, teste de ácido nucleico — e não atribui esse par de valores a um único ensaio.

Observação: os percentuais são parâmetros didáticos compatíveis com as fontes citadas. O desempenho observado pode variar conforme o ensaio utilizado, a fase da infecção, o tipo e a qualidade da amostra e o algoritmo diagnóstico. Nenhum resultado deve ser interpretado isoladamente do contexto clínico e epidemiológico.

Calculadora por tabela 2×2

Insira os quatro desfechos observados em um estudo e obtenha as medidas diretamente.

Dados observados

Use números inteiros. Nenhuma célula pode ser negativa.

Teste índiceTeste de referência
Doença presenteDoença ausenteTotal
Positivo
Negativo
Total
Sensibilidade e especificidade são condicionadas ao estado da doença; VPP e VPN são condicionados ao resultado do teste.
Sensibilidade
VP ÷ (VP + FN)
Especificidade
VN ÷ (VN + FP)
VPP
VP ÷ positivos
VPN
VN ÷ negativos
RV+
sens ÷ (1 − esp)
RV−
(1 − sens) ÷ esp
Interpretação:
    Outras possibilidades de interpretação das RVs

    1. Construções em porcentagem

    A conversão direta da RV para porcentagem exige que a frase indique o incremento ou a redução relativa — a diferença em relação ao valor de referência 1 —, e não apenas o valor absoluto.

    • —
    • —

    Nota de redação: em periódicos científicos, incrementos percentuais muito acima de 100% costumam ser evitados, pois podem dificultar a interpretação intuitiva. Nesses casos, o uso de múltiplos (“vezes”) é preferível.

    2. Abordagem focada em chances (odds)

    A literatura epidemiológica frequentemente descreve a RV não pela probabilidade do resultado do teste em si, mas pelo impacto que esse resultado tem nas chances pré-teste do paciente.

    • —
    • —

    3. Abordagem qualitativa (impacto clínico)

    Em seções de discussão de artigos ou manuais técnicos, a RV é frequentemente categorizada por sua utilidade clínica e força de evidência, considerando como referência os limiares clássicos em que RV+ > 10 oferece forte evidência para confirmar e RV− < 0,1 oferece forte evidência para afastar o diagnóstico.

    • —
    • —

    As categorias são aproximações didáticas. A relevância clínica depende também da probabilidade pré-teste e dos limiares de decisão do contexto.

    Múltiplos testes

    Combine dois testes e observe como a regra lógica modifica a sensibilidade, a especificidade e os erros de classificação.

    Ideia central: os testes em série utilizam a lógica E e priorizam a confirmação. Os testes em paralelo utilizam a lógica OU e priorizam a detecção.

    Lógica da série

    Regra E
    A+EB+→POSITIVO

    O resultado final somente será positivo quando A e B forem positivos. Um resultado negativo em qualquer etapa encerra a classificação como negativa.

    Sensibilidade combinada—
    Especificidade combinada—
    VPP combinado—
    VPN combinado—

    Teste isolado × estratégia combinada

    Compare o desempenho de cada teste isoladamente com o resultado final do algoritmo.

    MedidaTeste ATeste BSérie — E

    Resultado final em 10.000 pessoas

    Frequências naturais esperadas.

    Resultado finalDoençaSem doençaTotal
    Positivo———
    Negativo———
    Total———

    Interpretação da estratégia

    —

    —

    —

    De onde saíram os números da tabela?

    A população é separada pela presença da doença e, depois, a regra da estratégia é aplicada em cada coluna.

    Série — regra E

    Os cálculos utilizam frequências esperadas. Para exibir pessoas inteiras, as quatro células são arredondadas em conjunto, preservando o total da população; por isso, ocasionalmente pode haver diferença de uma pessoa em relação ao arredondamento isolado.

    —

    Entenda os cálculos e os limites desta simulação

    Série — regra E

    Sensibilidade: Sens. A × Sens. B

    Especificidade: 1 − (1 − Esp. A) × (1 − Esp. B)

    Para ser positivo, o indivíduo precisa apresentar resultado positivo nos dois testes.

    Paralelo — regra OU

    Sensibilidade: 1 − (1 − Sens. A) × (1 − Sens. B)

    Especificidade: Esp. A × Esp. B

    Para ser negativo, o indivíduo precisa apresentar resultado negativo nos dois testes.

    Pressuposto didático: as fórmulas consideram independência condicional entre os testes dentro dos grupos com e sem doença. Quando os testes detectam componentes semelhantes, seus erros podem estar correlacionados. Nesse caso, deve-se utilizar o desempenho observado do algoritmo completo.

    Nomograma de Fagan interativo

    Uma única reta liga a probabilidade pré-teste à RV e encontra a probabilidade pós-teste.

    Defina os pontos

    %
    0,00111000
    Probabilidade pós-teste—

    Curva ROC e área sob a curva

    Compare dois testes, explore os pontos de corte e interprete a capacidade discriminatória global.

    Exemplo simulado: os testes A e B, ambos com resultados de 0 a 10, foram aplicados à mesma amostra de 200 pacientes: 100 com doença e 100 sem doença pelo teste de referência.

    1. Explore um teste

    Escolha o teste e mova somente o ponto de corte. O laboratório calcula os resultados automaticamente.

    Teste em exploração
    Ponto de corte do Teste A≥ 6

    No Teste A, resultado ≥ 6 será considerado positivo.

    Corte baixoCorte alto
    MedidaTeste ATeste B
    Sensibilidade——
    Especificidade——
    Falsos positivos——
    J de Youden——
    Teste ADoençaSem doença
    Positivo——
    Negativo——

    AUC do Teste A——
    AUC do Teste B——
    Comparação global

    A AUC considera todos os pontos de corte de cada teste.

    Curvas exibidas

    Clique em qualquer ponto das curvas. O clique identifica o teste, seleciona o corte correspondente e atualiza a comparação. A AUC não muda, pois pertence à curva inteira.

    2. Da curva ROC à decisão clínica

    Mantenha o teste e o ponto de corte fixos e altere apenas a prevalência. Observe como o significado clínico do resultado muda, mesmo com a mesma AUC.

    Teste A · corte ≥ 6
    AUC — · sensibilidade — · especificidade —

    Escolha a população

    A população permanece em 10.000 pessoas. Somente a prevalência será modificada.

    %
    baixa50%

    O teste não mudou: nesta experiência, AUC, sensibilidade, especificidade e ponto de corte permanecem iguais. Apenas VPP, VPN e as frequências naturais mudam.

    VPP—doença após teste positivo
    VPN—ausência de doença após negativo
    Positivos verdadeiros—entre os resultados positivos

    O que ocorreria em 10.000 pessoas

    Verdadeiros positivos—
    Falsos positivos—
    Falsos negativos—
    Verdadeiros negativos—

    —

    Entenda a diferença entre ponto de corte, Youden e AUC

    Ponto de corte: define quem terá resultado positivo. Youden: procura o maior equilíbrio estatístico entre sensibilidade e especificidade dentro de cada teste. AUC: resume e permite comparar a capacidade discriminatória global dos testes considerando todos os cortes.

    Curva ROC

    Um teste com bom desempenho diagnóstico apresenta uma curva próxima do canto superior esquerdo do gráfico e uma AUC próxima de 1.

    Área sob a curva

    A AUC resume a capacidade discriminatória global do teste, considerando as diferentes combinações de sensibilidade e especificidade produzidas pelos possíveis pontos de corte.

    Interpretação probabilística

    Uma AUC de 0,97 significa que, ao selecionar aleatoriamente uma pessoa com a doença e uma pessoa sem a doença, existe aproximadamente 97% de probabilidade de a pessoa com a doença apresentar um valor de teste mais indicativo de positividade.

    Valor da AUCSugestão de interpretaçãoTeste nesta faixa
    0,9 ≤ AUC ≤ 1,0Excelente—
    0,8 ≤ AUC < 0,9Considerável—
    0,7 ≤ AUC < 0,8Justa—
    0,6 ≤ AUC < 0,7Pobre—
    0,5 ≤ AUC < 0,6Falha—
    AUC < 0,5Discriminação invertida—

    Uma AUC maior indica melhor discriminação global, mas a diferença entre duas AUCs só pode ser considerada estatisticamente significativa após análise apropriada. O maior Youden também não é obrigatoriamente o melhor corte clínico.

    Bússola do ponto de corte — guia para a decisão clínica

    Guia de bolso · raciocínio diagnóstico

    Bússola do Ponto de Corte

    Sensibilidade e especificidade descrevem o teste. Esta bússola ajuda a decidir, à beira do leito, o que priorizar diante do paciente real.

    01

    Antes de qualquer corte, responda

    Objetivo

    Rastrear, excluir ou confirmar?Triagem, rule-out de emergência e confirmação pré-tratamento pedem cortes diferentes.

    Custo do erro

    O que é pior aqui: perder o caso ou tratar quem não tem?O erro mais caro clinicamente é o que deve pesar mais na escolha do corte.

    Probabilidade pré-teste

    Qual a probabilidade de este paciente ter a doença antes do teste?Quadro clínico, epidemiologia e fatores de risco — não apenas a prevalência da tabela.

    Depois do resultado

    Existe confirmação disponível, ou a conduta já dispara diretamente?Sem confirmação posterior, o corte precisa ser mais conservador.

    02

    A matriz de decisão

    Cruze a gravidade do falso negativo (FN) com a gravidade do falso positivo (FP) para o seu paciente.

    FN graveFP tolerável
    Priorizar sensibilidade

    SnNout — sensibilidade alta, negativo exclui

    • Rastreio populacional (mamografia, Papanicolau)
    • D-dímero na suspeita de TEP
    • Troponina seriada na SCA
    FN graveFP grave
    Nenhum corte único basta

    Ambos os erros custam caro — não decida pelo teste isolado

    • Use sequência de testes ou segunda opinião
    • Explicite o critério clínico antes de agir
    • Ex.: decisão de terapia de altíssimo risco
    FN não graveFP não grave
    Equilibrar (Youden)

    Sem assimetria clara, o ponto de Youden é um bom início

    • Triagens de rotina, baixo risco
    • Acompanhamento não urgente
    FN não graveFP grave
    Priorizar especificidade

    SpPin — especificidade alta, positivo confirma

    • Sorologia confirmatória antes de TARV
    • Biópsia antes de quimioterapia
    • Confirmação pré-cirurgia de grande porte
    03

    Cenários frequentes

    SituaçãoPrioridadePor quêExemplo
    Rastreio de doença grave e tratável, com baixa prevalênciaSensibilidadeHá confirmação depois; perder o caso é o pior erroMamografia, colonoscopia
    Exclusão em emergência (rule-out)SensibilidadeDescartar com segurança uma condição grave e reversívelD-dímero, troponina
    Confirmação antes de tratamento arriscadoEspecificidadeTratar um falso positivo é tóxico, invasivo ou caroSorologia HIV, biópsia
    Suspeita clínica muito altaDepende da RVUm resultado “fraco” ainda pode confirmar se a suspeita já era altaBayes / Fagan
    Vigilância epidemiológica e controle de surtoSensibilidadeSubnotificar deixa a cadeia de transmissão ativaDefinição de caso
    Capacidade limitada para confirmar positivosAjustar à operaçãoO sistema pode não suportar todos os falsos positivosTestagem em massa
    04

    Fórmulas rápidas

    Sensibilidade
    VP / (VP + FN)

    Entre quem tem a doença, quantos o teste detecta.

    Especificidade
    VN / (VN + FP)

    Entre quem não tem a doença, quantos o teste descarta corretamente.

    VPP
    VP / (VP + FP)

    Depende da prevalência — diminui quando a doença é rara.

    VPN
    VN / (VN + FN)

    Depende da prevalência — diminui quando a doença é comum.

    RV+
    Sens / (1 − Esp)

    Quanto um positivo multiplica as chances de doença.

    RV−
    (1 − Sens) / Esp

    Quanto um negativo multiplica as chances de doença.

    J de Youden
    Sens + Esp − 1

    Equilíbrio estatístico — não é necessariamente o corte clínico ótimo.

    SnNout: teste de alta sensibilidade, se negativo, out — ajuda a afastar a doença.

    SpPin: teste de alta especificidade, se positivo, in — ajuda a confirmar a doença.

    05

    Três lembretes que evitam erros de prova e de plantão

    1

    VPP e VPN mudam com a prevalência. O mesmo teste, em populações diferentes, muda de significado clínico — sensibilidade e especificidade permanecem constantes quando o espectro dos pacientes e as condições de aplicação são comparáveis.

    2

    Youden é estatística, não é clínica. O ponto de maior J equilibra sensibilidade e especificidade, mas não considera o custo relativo de errar para mais ou para menos no paciente.

    3

    AUC maior não prova, por si só, que um teste é melhor. A diferença entre AUCs requer intervalo de confiança ou teste formal, como o teste de DeLong; não deve ser concluída apenas pela inspeção visual das curvas.

    Guia de apoio ao raciocínio clínico — não substitui protocolos institucionais, informações técnicas do teste ou julgamento clínico individualizado. Uso educacional.

    Guia para alunos

    Um percurso orientado para explorar o laboratório, formular hipóteses e interpretar os resultados.

    Como aproveitar melhor o laboratório

    Não tente apenas obter números. Em cada atividade, siga esta sequência: faça uma previsão, altere somente um elemento, observe o que mudou, explique o motivo e registre uma conclusão clínica.

    1. Preveja antes de clicar

    Diga o que você acredita que acontecerá com sensibilidade, especificidade, VPP, VPN ou erros de classificação.

    2. Altere uma coisa por vez

    Assim será possível identificar qual parâmetro provocou a mudança observada.

    3. Traduza para o paciente

    Depois do cálculo, explique o resultado com uma frase clínica, e não apenas com uma fórmula.

    Percurso recomendado, aba por aba

    1Simulação clínicaEntenda prevalência, desempenho e significado dos resultados

    Objetivo: perceber que sensibilidade e especificidade descrevem o desempenho do teste, enquanto VPP e VPN também dependem da probabilidade pré-teste.

    Faça passo a passo

    1. Clique em Restaurar exemplo e observe prevalência de 15%, sensibilidade de 90% e especificidade de 80%.
    2. Leia a tabela “O que ocorre nesta população” e localize VP, FP, FN e VN.
    3. Clique em cada medida: sensibilidade, especificidade, VPP, VPN, RV+ e RV−. Leia a interpretação individual.
    4. Clique em Guardar cenário A.
    5. Reduza somente a probabilidade pré-teste de 15% para 1%. Não altere sensibilidade nem especificidade.
    6. Compare o cenário A com o atual e identifique quais medidas permaneceram iguais.
    7. Experimente os botões Triagem e Confirmação do exemplo de HIV.

    Pergunte a si mesmo

    • Por que o VPP diminuiu quando a doença ficou mais rara?
    • Por que sensibilidade, especificidade e RV não mudaram quando somente a prevalência mudou?
    • Entre os resultados positivos, existem mais VP ou FP?
    • Um teste muito específico garante VPP alto em qualquer população?

    Conclusão esperada: em baixa prevalência, mesmo um teste de bom desempenho pode produzir muitos falsos positivos. O resultado deve ser interpretado junto da probabilidade pré-teste.

    2Tabela 2×2Reconstrua as medidas a partir das frequências observadas

    Objetivo: compreender de onde vêm as fórmulas e distinguir perguntas condicionadas à doença das perguntas condicionadas ao resultado do teste.

    Faça passo a passo

    1. Volte à Simulação clínica e escolha um cenário.
    2. Abra a Tabela 2×2 e clique em Importar dados da simulação.
    3. Confira as linhas: teste positivo e teste negativo. Depois confira as colunas: doença presente e doença ausente.
    4. Calcule manualmente a sensibilidade: VP ÷ (VP + FN).
    5. Calcule o VPP: VP ÷ (VP + FP). Compare os denominadores das duas fórmulas.
    6. Altere uma célula de cada vez e observe todas as medidas.
    7. Abra Interpretação e depois as outras possibilidades de leitura das RVs.

    Pergunte a si mesmo

    • Sensibilidade começa pelas pessoas com doença ou pelas pessoas com teste positivo?
    • VPP responde à mesma pergunta que sensibilidade?
    • Qual célula precisa diminuir para aumentar a sensibilidade?
    • Qual célula precisa diminuir para aumentar a especificidade?

    Conclusão esperada: sensibilidade e especificidade começam pelo estado da doença; VPP e VPN começam pelo resultado do teste.

    3Nomograma de FaganTransforme probabilidade pré-teste em probabilidade pós-teste

    Objetivo: visualizar como a razão de verossimilhança atualiza a probabilidade de doença.

    Faça passo a passo

    1. Na Simulação clínica, selecione um cenário e clique em RV+ ou RV−.
    2. Abra o Nomograma de Fagan.
    3. Defina a probabilidade pré-teste ou mantenha o valor trazido da simulação.
    4. Clique em Usar RV+ atual e observe a probabilidade pós-teste.
    5. Depois clique em Usar RV− atual.
    6. Mantenha a mesma RV e compare probabilidades pré-teste de 1%, 20% e 60%.
    7. Explique por que a mesma RV produz probabilidades pós-teste diferentes.

    Pergunte a si mesmo

    • Uma RV+ maior que 1 aumenta ou diminui a probabilidade?
    • Uma RV− próxima de zero é útil para fazer o quê?
    • O resultado do teste substitui a probabilidade pré-teste?
    • Quando a probabilidade pós-teste seria suficiente para iniciar ou suspender uma conduta?

    Conclusão esperada: o teste atualiza uma probabilidade anterior; ele não produz significado clínico isoladamente.

    4Curva ROC e AUCExplore pontos de corte e discriminação global

    Objetivo: diferenciar o desempenho de um ponto de corte da capacidade discriminatória global representada pela AUC.

    Faça passo a passo

    1. Escolha o teste A e mova o ponto de corte para valores baixos e altos.
    2. Observe simultaneamente sensibilidade, especificidade, falsos positivos e índice de Youden.
    3. Clique diretamente nos pontos da curva ROC.
    4. Compare os testes A e B no mesmo ponto de corte.
    5. Identifique o ponto de maior Youden, mas não o trate automaticamente como melhor escolha clínica.
    6. Na seção “Da curva ROC à decisão clínica”, mantenha teste e corte fixos.
    7. Altere somente a prevalência de 0,4% para 15% e compare VPP e VPN. Observe que a AUC permanece igual.
    8. Abra a Bússola do ponto de corte ao final da aba.

    Pergunte a si mesmo

    • O que acontece ao diminuir o ponto de corte?
    • A AUC pertence a um ponto ou à curva inteira?
    • Um teste com AUC excelente pode apresentar VPP baixo?
    • O maior Youden conhece as consequências clínicas de FP e FN?

    Conclusão esperada: AUC mede discriminação global, mas não define sozinha o melhor corte nem o significado clínico de um resultado em determinada população.

    5Múltiplos testesCompare a lógica E da série com a lógica OU do paralelo

    Objetivo: compreender como a regra usada para combinar dois testes altera sensibilidade, especificidade, FP, FN e quantidade de exames.

    Faça passo a passo

    1. Mantenha o exemplo geral e observe os parâmetros dos testes A e B.
    2. Comece pela estratégia em série — regra E.
    3. Leia a lógica: o resultado final somente é positivo quando A e B são positivos.
    4. Anote sensibilidade, especificidade, FP e FN combinados.
    5. Mude para paralelo — regra OU, sem alterar nenhum parâmetro.
    6. Compare novamente os erros e as aplicações de testes.
    7. Abra o exemplo de HIV e repita a comparação.
    8. Abra o quadro de fórmulas e leia o pressuposto de independência condicional.

    Pergunte a si mesmo

    • Por que a série reduz falsos positivos?
    • Por que o paralelo reduz falsos negativos?
    • Em qual estratégia basta um teste positivo?
    • Em qual estratégia o teste B pode ser aplicado apenas aos positivos em A?

    Conclusão esperada: série favorece confirmação e especificidade; paralelo favorece rastreamento e sensibilidade. A escolha depende do custo clínico dos erros.

    Missões integradas

    Missão 1 · Da população ao paciente

    Descubra como prevalência, tabela e RV se conectam.

    1. Crie dois cenários na Simulação clínica mudando somente a prevalência.
    2. Importe um deles para a Tabela 2×2.
    3. Confira VP, FP, FN e VN.
    4. Use a RV no Nomograma de Fagan.
    5. Explique a probabilidade pós-teste em uma frase clínica.

    Missão 2 · O ponto de corte

    Relacione ROC, consequências e decisão.

    1. Na ROC, escolha um corte sensível e outro específico.
    2. Registre sensibilidade e especificidade de cada um.
    3. Reproduza esses valores na Simulação clínica.
    4. Compare os números de FP e FN em 10.000 pessoas.
    5. Justifique qual corte usaria para rastrear e qual para confirmar.

    Missão 3 · Algoritmo de HIV

    Observe por que rastreio e confirmação são etapas diferentes.

    1. Abra “Triagem” na Simulação clínica.
    2. Observe o VPP na prevalência de 0,4%.
    3. Abra o exemplo de HIV em Múltiplos testes.
    4. Compare série e paralelo.
    5. Explique por que um resultado reagente de rastreio precisa de confirmação.

    Verifique se você compreendeu

    Se a prevalência diminuir e o teste permanecer igual, o que acontece com VPP e VPN?

    O VPP tende a diminuir e o VPN tende a aumentar. Sensibilidade, especificidade e razões de verossimilhança permanecem iguais no modelo.

    Diminuir o ponto de corte geralmente produz qual troca?

    Aumenta a sensibilidade e reduz a especificidade: menos pessoas com doença são perdidas, mas mais pessoas sem doença recebem resultado positivo.

    Qual é a diferença lógica entre série e paralelo?

    Na série, o resultado final positivo exige A positivo e B positivo. No paralelo, basta A positivo ou B positivo.

    Uma AUC excelente garante VPP elevado?

    Não. O VPP também depende da prevalência ou probabilidade pré-teste e pode ser baixo em populações nas quais a doença é rara.

    Uso educacional: os cenários são simulações para aprendizagem e não substituem protocolos clínicos, validação local do teste ou julgamento profissional.

    Guia para professores

    Orientações passo a passo para planejar, conduzir e integrar as atividades do Laboratório de Testes Diagnósticos.

    Primeiro uso: uma condução simples e segura

    Projete o laboratório em um computador, apresente uma pergunta antes de modificar os controles e solicite previsões dos alunos. A ferramenta funciona melhor quando cada mudança é precedida por uma hipótese e seguida por uma explicação clínica.

    Antes da aula

    Abra o laboratório, confira a projeção, teste os botões “Restaurar exemplo” e escolha quais módulos cabem no tempo disponível.

    Durante a demonstração

    Altere somente uma variável por vez. Peça primeiro a previsão, depois revele o resultado e solicite uma justificativa.

    Ao concluir cada etapa

    Peça que um aluno traduza o número para uma frase clínica e outro identifique a consequência para FP ou FN.

    Como utilizar cada aba em aula

    1Simulação clínicaAula sobre prevalência, valores preditivos e frequências naturais

    Objetivo docente: fazer os alunos diferenciarem propriedades do teste de medidas dependentes do contexto populacional.

    Caminho de condução

    1. Abra a aba e clique em Restaurar exemplo.
    2. Apresente os três parâmetros: probabilidade pré-teste, sensibilidade e especificidade. Ainda não explique VPP e VPN.
    3. Pergunte: “Em 10.000 pessoas, onde vocês esperam encontrar mais erros: FP ou FN?”
    4. Leia com a turma a tabela e o mapa dos desfechos.
    5. Clique em VPP e solicite que um aluno leia a interpretação clínica.
    6. Guarde o cenário A. Reduza somente a prevalência de 15% para 1%.
    7. Peça que a turma indique o que deveria permanecer igual antes de revelar a comparação.
    8. Finalize com os exemplos de Triagem e Confirmação do HIV e abra as referências somente se precisar discutir as fontes.

    Perguntas para os alunos

    • Qual é o denominador da sensibilidade?
    • Por que o VPP não é uma característica fixa do teste?
    • Por que um resultado positivo em rastreamento não deve ser tratado automaticamente como diagnóstico?
    • O que muda quando somente a prevalência muda?

    Resposta a perseguir: prevalência modifica VPP, VPN e frequências; não modifica sensibilidade, especificidade e RV no modelo. Em doenças raras, FP podem superar VP.

    2Tabela 2×2Aula sobre estrutura, fórmulas e direção das probabilidades

    Objetivo docente: ensinar a origem das medidas e impedir a confusão frequente entre sensibilidade e VPP, ou entre especificidade e VPN.

    Caminho de condução

    1. Construa primeiro a tabela no quadro: linhas representam o teste; colunas representam o padrão de referência.
    2. Solicite que os alunos nomeiem VP, FP, FN e VN antes de mostrar as fórmulas.
    3. Importe os dados da Simulação clínica para evitar digitação inicial.
    4. Peça a um grupo para calcular sensibilidade e a outro para calcular VPP.
    5. Compare os denominadores e formule as duas perguntas em linguagem clínica.
    6. Altere apenas FN e discuta o efeito sobre sensibilidade e VPN.
    7. Altere apenas FP e discuta o efeito sobre especificidade e VPP.
    8. Abra as interpretações das RVs ao final.

    Perguntas para os alunos

    • “Se o paciente tem a doença...” inicia qual medida?
    • “Se o teste foi positivo...” inicia qual medida?
    • Qual erro prejudica diretamente a sensibilidade?
    • Qual erro prejudica diretamente a especificidade?

    Resposta a perseguir: FN reduz sensibilidade; FP reduz especificidade. Sensibilidade condiciona pelo estado de doença, enquanto VPP condiciona pelo resultado positivo.

    3Nomograma de FaganAula sobre raciocínio bayesiano e atualização diagnóstica

    Objetivo docente: mostrar que o valor clínico do resultado depende do ponto de partida e da força informativa expressa pela RV.

    Caminho de condução

    1. Apresente um caso breve e peça uma estimativa de probabilidade pré-teste.
    2. Na Simulação clínica, selecione RV+ e abra o Fagan.
    3. Mostre os três eixos: pré-teste, RV e pós-teste.
    4. Use RV+ e solicite uma interpretação da probabilidade pós-teste.
    5. Mantenha a probabilidade pré-teste e troque para RV−.
    6. Depois mantenha a RV e mude apenas a probabilidade pré-teste.
    7. Discuta limiares de testar, tratar ou afastar, sem apresentá-los como universais.

    Perguntas para os alunos

    • Dois pacientes com o mesmo resultado necessariamente terminam com a mesma probabilidade pós-teste?
    • Qual RV é desejável para confirmar? E para afastar?
    • O que acontece quando a RV é igual a 1?
    • Em que momento a informação seria suficiente para mudar a conduta?

    Resposta a perseguir: a RV multiplica as chances pré-teste. Uma RV igual a 1 não acrescenta informação; o contexto determina o ponto de partida e os limiares de decisão.

    4Curva ROC e AUCAula sobre ponto de corte, Youden, discriminação e prevalência

    Objetivo docente: separar quatro ideias: ponto de corte, troca entre sensibilidade e especificidade, índice de Youden e AUC global.

    Caminho de condução

    1. Mostre que os testes A e B foram aplicados à mesma amostra.
    2. Escolha o teste A e mova lentamente o corte do menor para o maior valor.
    3. A cada movimento, peça aos alunos que antecipem o sentido da sensibilidade e da especificidade.
    4. Clique em um ponto da curva e mostre que ele representa um corte, não uma AUC própria.
    5. Compare as AUCs dos testes A e B e interprete discriminação global.
    6. Identifique o maior Youden e pergunte se ele conhece o custo clínico dos erros.
    7. Mantenha teste e corte e altere a prevalência de 0,4% para 15% na ponte clínica.
    8. Finalize com a Bússola do ponto de corte.

    Perguntas para os alunos

    • Por que diminuir o corte aumenta simultaneamente VP e FP?
    • Uma AUC de 0,97 significa 97% de acertos?
    • Por que a AUC não mudou quando a prevalência mudou?
    • Como um teste excelente pode ter VPP baixo?

    Resposta a perseguir: AUC representa a probabilidade de ordenação correta entre uma pessoa com e outra sem doença e resume todos os cortes; não corresponde à porcentagem simples de classificações corretas.

    5Múltiplos testesAula sobre algoritmos em série e em paralelo

    Objetivo docente: fazer os alunos explicarem por lógica, e não apenas por fórmula, por que a série aumenta especificidade e o paralelo aumenta sensibilidade.

    Caminho de condução

    1. Apresente os testes A e B separadamente e solicite que a turma identifique qual é mais sensível e qual é mais específico.
    2. Selecione Série — E e leia a regra com os alunos.
    3. Pergunte o que uma pessoa sem doença precisa fazer para permanecer falso positivo: ser positiva nos dois testes.
    4. Compare a especificidade combinada e os FP com o teste A isolado.
    5. Troque para Paralelo — OU.
    6. Pergunte o que uma pessoa com doença precisa fazer para ser perdida: ser negativa nos dois testes.
    7. Compare sensibilidade, FN e número de exames.
    8. Use o exemplo de HIV para discutir rastreio seguido de confirmação e leia a ressalva sobre independência.

    Perguntas para os alunos

    • Qual conectivo lógico define a série?
    • Qual conectivo lógico define o paralelo?
    • Qual estratégia escolher se FN for o erro mais grave?
    • Qual estratégia escolher se FP gerar tratamento tóxico?

    Resposta a perseguir: série usa E, reduz FP e favorece confirmação; paralelo usa OU, reduz FN e favorece rastreamento. O ganho em uma dimensão possui um custo na outra.

    Percursos combinados para uma aula

    Percurso A · Fundamentos

    Simulação → Tabela 2×2 → Fagan

    1. Comece com frequências naturais.
    2. Reconstrua as fórmulas na tabela.
    3. Leve a RV ao Fagan.
    4. Finalize com uma interpretação pós-teste.

    Percurso B · Decisão clínica

    ROC → Simulação → Múltiplos testes

    1. Escolha um corte para rastrear e outro para confirmar.
    2. Reproduza sensibilidade e especificidade na simulação.
    3. Mostre FP e FN em uma população.
    4. Combine os testes em série ou paralelo.

    Percurso C · Caso HIV

    Simulação → Tabela → Múltiplos testes

    1. Use Triagem com prevalência de 0,4%.
    2. Mostre que FP podem superar VP.
    3. Importe para a tabela.
    4. Use o preset HIV em série.
    5. Discuta por que confirmação é necessária.

    Sugestões conforme o tempo disponível

    TempoSequência sugeridaProduto dos alunos
    30 minutosSimulação clínica: cenário A × prevalência baixa; interpretação de VPP e VPN.Uma frase explicando por que o VPP mudou.
    50 minutosSimulação clínica → Tabela 2×2 → interpretação individual.Tabela preenchida, dois cálculos e duas frases clínicas.
    90 minutosROC → Simulação → Múltiplos testes.Justificativa de corte e estratégia para rastreamento e confirmação.
    120 minutosPercurso completo em grupos, com caso HIV e apresentação das conclusões.Relato clínico contendo pré-teste, desempenho, erros, pós-teste e algoritmo.

    Estratégia de facilitação

    Prever

    Antes do clique, cada grupo registra o sentido esperado da mudança.

    Observar

    Um aluno opera a ferramenta; os demais procuram evidências na tabela, gráfico ou interpretação.

    Explicar

    A turma conclui usando “porque”, relacionando o resultado ao denominador, à prevalência ou à regra lógica.

    Cuidados: evite alterar vários parâmetros simultaneamente; não apresente o maior Youden como melhor corte universal; diferencie prevalência populacional de probabilidade pré-teste individual; e relembre que as simulações não substituem protocolos clínicos.

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