Do desempenho do teste à decisão clínica
Altere os parâmetros e acompanhe todas as medidas em tempo real.
O que ocorre nesta população
Frequências naturais esperadas.
| Resultado | Doença | Sem doença | Total |
|---|---|---|---|
| Teste positivo | Verdadeiro positivo— | Falso positivo— | — |
| Teste negativo | Falso negativo— | Verdadeiro negativo— | — |
| Total | — | — | — |
Mapa dos desfechos
Cada cor é uma parcela da população simulada.
Cenário A × cenário atual
Mude os controles para criar o cenário B e observe o que mudou ou permaneceu igual.
Entenda os cálculos e veja outras medidas
Referências dos exemplos de HIV
Fontes utilizadas nos exemplos de rastreio e confirmação da infecção pelo HIV apresentados nesta simulação.
Parâmetros configurados no simulador
| Parâmetro | Etapa 1: rastreio (IE4G / Teste Rápido 1) |
Etapa 2: confirmação (Carga Viral / Western Blot) |
|---|---|---|
| Probabilidade pré-teste da etapa | 0,4% prevalência estimada na população geral brasileira ou 1,0% no cenário didático alternativo |
44,5% após rastreio iniciado em 0,4% ou 66,8% após rastreio iniciado em 1,0% |
| Sensibilidade | 99,8% | 99,8%* |
| Especificidade | 99,5% | 99,9%* |
Como interpretar a passagem entre as etapas: 44,5% e 66,8% são os valores preditivos positivos do rastreio nos dois cenários e passam a representar a probabilidade pré-teste entre as pessoas encaminhadas para confirmação. Não são novas prevalências populacionais. * Na etapa 2, sensibilidade de 99,8% e especificidade de 99,9% são parâmetros didáticos do algoritmo confirmatório, e não estimativas extraídas conjuntamente de um único ensaio.
1. Prevalência do HIV no Brasil
Fonte oficial: Boletim Epidemiológico HIV/Aids, Ministério da Saúde do Brasil, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Consultar fonte ↗
Fonte complementar: página oficial de Prevenção Combinada do HIV, Ministério da Saúde. Consultar fonte ↗
Dado utilizado: a prevalência estimada do HIV na população geral brasileira é de 0,4%.
2. Desempenho do teste de 4ª geração — rastreio
Fonte oficial: Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, Ministério da Saúde do Brasil, Departamento de HIV/Aids. Consultar fonte ↗
Artigo de suporte: ALEXANDER, T. S. Human Immunodeficiency Virus Diagnostic Testing: 30 Years of Evolution. Clinical and Vaccine Immunology, v. 23, n. 4, p. 249–253, 2016. DOI ↗
Dado utilizado: imunoensaios de 4ª geração, que detectam o antígeno p24 e anticorpos anti-HIV, apresentam sensibilidade entre 99,7% e 100% e especificidade entre 99,5% e 99,8%.
3. Desempenho dos testes confirmatórios
Fonte oficial brasileira: Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças, Ministério da Saúde do Brasil. Consultar fonte ↗
Referência do algoritmo: CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION; ASSOCIATION OF PUBLIC HEALTH LABORATORIES. Laboratory Testing for the Diagnosis of HIV Infection: Updated Recommendations. Atlanta: CDC, 2014. Consultar fonte ↗
Parâmetros adotados: sensibilidade de 99,8% e especificidade de 99,9% representam um cenário didático de elevada performance para a etapa confirmatória. A recomendação do CDC descreve uma sequência de testes — diferenciação de anticorpos HIV-1/HIV-2 e, quando necessário, teste de ácido nucleico — e não atribui esse par de valores a um único ensaio.
Observação: os percentuais são parâmetros didáticos compatíveis com as fontes citadas. O desempenho observado pode variar conforme o ensaio utilizado, a fase da infecção, o tipo e a qualidade da amostra e o algoritmo diagnóstico. Nenhum resultado deve ser interpretado isoladamente do contexto clínico e epidemiológico.
Calculadora por tabela 2×2
Insira os quatro desfechos observados em um estudo e obtenha as medidas diretamente.
Dados observados
Use números inteiros. Nenhuma célula pode ser negativa.
| Teste índice | Teste de referência | ||
|---|---|---|---|
| Doença presente | Doença ausente | Total | |
| Positivo | |||
| Negativo | |||
| Total | |||
Interpretação:
Outras possibilidades de interpretação das RVs
1. Construções em porcentagem
A conversão direta da RV para porcentagem exige que a frase indique o incremento ou a redução relativa — a diferença em relação ao valor de referência 1 —, e não apenas o valor absoluto.
- —
- —
Nota de redação: em periódicos científicos, incrementos percentuais muito acima de 100% costumam ser evitados, pois podem dificultar a interpretação intuitiva. Nesses casos, o uso de múltiplos (“vezes”) é preferível.
2. Abordagem focada em chances (odds)
A literatura epidemiológica frequentemente descreve a RV não pela probabilidade do resultado do teste em si, mas pelo impacto que esse resultado tem nas chances pré-teste do paciente.
- —
- —
3. Abordagem qualitativa (impacto clínico)
Em seções de discussão de artigos ou manuais técnicos, a RV é frequentemente categorizada por sua utilidade clínica e força de evidência, considerando como referência os limiares clássicos em que RV+ > 10 oferece forte evidência para confirmar e RV− < 0,1 oferece forte evidência para afastar o diagnóstico.
- —
- —
As categorias são aproximações didáticas. A relevância clínica depende também da probabilidade pré-teste e dos limiares de decisão do contexto.
Múltiplos testes
Combine dois testes e observe como a regra lógica modifica a sensibilidade, a especificidade e os erros de classificação.
Lógica da série
Regra EO resultado final somente será positivo quando A e B forem positivos. Um resultado negativo em qualquer etapa encerra a classificação como negativa.
Teste isolado × estratégia combinada
Compare o desempenho de cada teste isoladamente com o resultado final do algoritmo.
| Medida | Teste A | Teste B | Série — E |
|---|
Resultado final em 10.000 pessoas
Frequências naturais esperadas.
| Resultado final | Doença | Sem doença | Total |
|---|---|---|---|
| Positivo | — | — | — |
| Negativo | — | — | — |
| Total | — | — | — |
Interpretação da estratégia
—
—
—
De onde saíram os números da tabela?
A população é separada pela presença da doença e, depois, a regra da estratégia é aplicada em cada coluna.
Série — regra EOs cálculos utilizam frequências esperadas. Para exibir pessoas inteiras, as quatro células são arredondadas em conjunto, preservando o total da população; por isso, ocasionalmente pode haver diferença de uma pessoa em relação ao arredondamento isolado.
—
Entenda os cálculos e os limites desta simulação
Série — regra E
Sensibilidade: Sens. A × Sens. B
Especificidade: 1 − (1 − Esp. A) × (1 − Esp. B)
Para ser positivo, o indivíduo precisa apresentar resultado positivo nos dois testes.
Paralelo — regra OU
Sensibilidade: 1 − (1 − Sens. A) × (1 − Sens. B)
Especificidade: Esp. A × Esp. B
Para ser negativo, o indivíduo precisa apresentar resultado negativo nos dois testes.
Pressuposto didático: as fórmulas consideram independência condicional entre os testes dentro dos grupos com e sem doença. Quando os testes detectam componentes semelhantes, seus erros podem estar correlacionados. Nesse caso, deve-se utilizar o desempenho observado do algoritmo completo.
Nomograma de Fagan interativo
Uma única reta liga a probabilidade pré-teste à RV e encontra a probabilidade pós-teste.
Defina os pontos
Curva ROC e área sob a curva
Compare dois testes, explore os pontos de corte e interprete a capacidade discriminatória global.
1. Explore um teste
Escolha o teste e mova somente o ponto de corte. O laboratório calcula os resultados automaticamente.
No Teste A, resultado ≥ 6 será considerado positivo.
| Medida | Teste A | Teste B |
|---|---|---|
| Sensibilidade | — | — |
| Especificidade | — | — |
| Falsos positivos | — | — |
| J de Youden | — | — |
| Teste A | Doença | Sem doença |
|---|---|---|
| Positivo | — | — |
| Negativo | — | — |
A AUC considera todos os pontos de corte de cada teste.
Clique em qualquer ponto das curvas. O clique identifica o teste, seleciona o corte correspondente e atualiza a comparação. A AUC não muda, pois pertence à curva inteira.
2. Da curva ROC à decisão clínica
Mantenha o teste e o ponto de corte fixos e altere apenas a prevalência. Observe como o significado clínico do resultado muda, mesmo com a mesma AUC.
AUC — · sensibilidade — · especificidade —
Escolha a população
A população permanece em 10.000 pessoas. Somente a prevalência será modificada.
O teste não mudou: nesta experiência, AUC, sensibilidade, especificidade e ponto de corte permanecem iguais. Apenas VPP, VPN e as frequências naturais mudam.
O que ocorreria em 10.000 pessoas
Entenda a diferença entre ponto de corte, Youden e AUC
Ponto de corte: define quem terá resultado positivo. Youden: procura o maior equilíbrio estatístico entre sensibilidade e especificidade dentro de cada teste. AUC: resume e permite comparar a capacidade discriminatória global dos testes considerando todos os cortes.
Curva ROC
Um teste com bom desempenho diagnóstico apresenta uma curva próxima do canto superior esquerdo do gráfico e uma AUC próxima de 1.
Área sob a curva
A AUC resume a capacidade discriminatória global do teste, considerando as diferentes combinações de sensibilidade e especificidade produzidas pelos possíveis pontos de corte.
Interpretação probabilística
Uma AUC de 0,97 significa que, ao selecionar aleatoriamente uma pessoa com a doença e uma pessoa sem a doença, existe aproximadamente 97% de probabilidade de a pessoa com a doença apresentar um valor de teste mais indicativo de positividade.
| Valor da AUC | Sugestão de interpretação | Teste nesta faixa |
|---|---|---|
| 0,9 ≤ AUC ≤ 1,0 | Excelente | — |
| 0,8 ≤ AUC < 0,9 | Considerável | — |
| 0,7 ≤ AUC < 0,8 | Justa | — |
| 0,6 ≤ AUC < 0,7 | Pobre | — |
| 0,5 ≤ AUC < 0,6 | Falha | — |
| AUC < 0,5 | Discriminação invertida | — |
Uma AUC maior indica melhor discriminação global, mas a diferença entre duas AUCs só pode ser considerada estatisticamente significativa após análise apropriada. O maior Youden também não é obrigatoriamente o melhor corte clínico.
Bússola do ponto de corte — guia para a decisão clínica
Guia de bolso · raciocínio diagnóstico
Bússola do Ponto de Corte
Sensibilidade e especificidade descrevem o teste. Esta bússola ajuda a decidir, à beira do leito, o que priorizar diante do paciente real.
Antes de qualquer corte, responda
Rastrear, excluir ou confirmar?Triagem, rule-out de emergência e confirmação pré-tratamento pedem cortes diferentes.
O que é pior aqui: perder o caso ou tratar quem não tem?O erro mais caro clinicamente é o que deve pesar mais na escolha do corte.
Qual a probabilidade de este paciente ter a doença antes do teste?Quadro clínico, epidemiologia e fatores de risco — não apenas a prevalência da tabela.
Existe confirmação disponível, ou a conduta já dispara diretamente?Sem confirmação posterior, o corte precisa ser mais conservador.
A matriz de decisão
Cruze a gravidade do falso negativo (FN) com a gravidade do falso positivo (FP) para o seu paciente.
Priorizar sensibilidade
SnNout — sensibilidade alta, negativo exclui
- Rastreio populacional (mamografia, Papanicolau)
- D-dímero na suspeita de TEP
- Troponina seriada na SCA
Nenhum corte único basta
Ambos os erros custam caro — não decida pelo teste isolado
- Use sequência de testes ou segunda opinião
- Explicite o critério clínico antes de agir
- Ex.: decisão de terapia de altíssimo risco
Equilibrar (Youden)
Sem assimetria clara, o ponto de Youden é um bom início
- Triagens de rotina, baixo risco
- Acompanhamento não urgente
Priorizar especificidade
SpPin — especificidade alta, positivo confirma
- Sorologia confirmatória antes de TARV
- Biópsia antes de quimioterapia
- Confirmação pré-cirurgia de grande porte
Cenários frequentes
| Situação | Prioridade | Por quê | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Rastreio de doença grave e tratável, com baixa prevalência | Sensibilidade | Há confirmação depois; perder o caso é o pior erro | Mamografia, colonoscopia |
| Exclusão em emergência (rule-out) | Sensibilidade | Descartar com segurança uma condição grave e reversível | D-dímero, troponina |
| Confirmação antes de tratamento arriscado | Especificidade | Tratar um falso positivo é tóxico, invasivo ou caro | Sorologia HIV, biópsia |
| Suspeita clínica muito alta | Depende da RV | Um resultado “fraco” ainda pode confirmar se a suspeita já era alta | Bayes / Fagan |
| Vigilância epidemiológica e controle de surto | Sensibilidade | Subnotificar deixa a cadeia de transmissão ativa | Definição de caso |
| Capacidade limitada para confirmar positivos | Ajustar à operação | O sistema pode não suportar todos os falsos positivos | Testagem em massa |
Fórmulas rápidas
Entre quem tem a doença, quantos o teste detecta.
Entre quem não tem a doença, quantos o teste descarta corretamente.
Depende da prevalência — diminui quando a doença é rara.
Depende da prevalência — diminui quando a doença é comum.
Quanto um positivo multiplica as chances de doença.
Quanto um negativo multiplica as chances de doença.
Equilíbrio estatístico — não é necessariamente o corte clínico ótimo.
SnNout: teste de alta sensibilidade, se negativo, out — ajuda a afastar a doença.
SpPin: teste de alta especificidade, se positivo, in — ajuda a confirmar a doença.
Três lembretes que evitam erros de prova e de plantão
VPP e VPN mudam com a prevalência. O mesmo teste, em populações diferentes, muda de significado clínico — sensibilidade e especificidade permanecem constantes quando o espectro dos pacientes e as condições de aplicação são comparáveis.
Youden é estatística, não é clínica. O ponto de maior J equilibra sensibilidade e especificidade, mas não considera o custo relativo de errar para mais ou para menos no paciente.
AUC maior não prova, por si só, que um teste é melhor. A diferença entre AUCs requer intervalo de confiança ou teste formal, como o teste de DeLong; não deve ser concluída apenas pela inspeção visual das curvas.
Guia de apoio ao raciocínio clínico — não substitui protocolos institucionais, informações técnicas do teste ou julgamento clínico individualizado. Uso educacional.
Guia para alunos
Um percurso orientado para explorar o laboratório, formular hipóteses e interpretar os resultados.
Como aproveitar melhor o laboratório
Não tente apenas obter números. Em cada atividade, siga esta sequência: faça uma previsão, altere somente um elemento, observe o que mudou, explique o motivo e registre uma conclusão clínica.
Diga o que você acredita que acontecerá com sensibilidade, especificidade, VPP, VPN ou erros de classificação.
Assim será possível identificar qual parâmetro provocou a mudança observada.
Depois do cálculo, explique o resultado com uma frase clínica, e não apenas com uma fórmula.
Percurso recomendado, aba por aba
1Simulação clínicaEntenda prevalência, desempenho e significado dos resultados
Objetivo: perceber que sensibilidade e especificidade descrevem o desempenho do teste, enquanto VPP e VPN também dependem da probabilidade pré-teste.
Faça passo a passo
- Clique em Restaurar exemplo e observe prevalência de 15%, sensibilidade de 90% e especificidade de 80%.
- Leia a tabela “O que ocorre nesta população” e localize VP, FP, FN e VN.
- Clique em cada medida: sensibilidade, especificidade, VPP, VPN, RV+ e RV−. Leia a interpretação individual.
- Clique em Guardar cenário A.
- Reduza somente a probabilidade pré-teste de 15% para 1%. Não altere sensibilidade nem especificidade.
- Compare o cenário A com o atual e identifique quais medidas permaneceram iguais.
- Experimente os botões Triagem e Confirmação do exemplo de HIV.
Pergunte a si mesmo
- Por que o VPP diminuiu quando a doença ficou mais rara?
- Por que sensibilidade, especificidade e RV não mudaram quando somente a prevalência mudou?
- Entre os resultados positivos, existem mais VP ou FP?
- Um teste muito específico garante VPP alto em qualquer população?
Conclusão esperada: em baixa prevalência, mesmo um teste de bom desempenho pode produzir muitos falsos positivos. O resultado deve ser interpretado junto da probabilidade pré-teste.
2Tabela 2×2Reconstrua as medidas a partir das frequências observadas
Objetivo: compreender de onde vêm as fórmulas e distinguir perguntas condicionadas à doença das perguntas condicionadas ao resultado do teste.
Faça passo a passo
- Volte à Simulação clínica e escolha um cenário.
- Abra a Tabela 2×2 e clique em Importar dados da simulação.
- Confira as linhas: teste positivo e teste negativo. Depois confira as colunas: doença presente e doença ausente.
- Calcule manualmente a sensibilidade: VP ÷ (VP + FN).
- Calcule o VPP: VP ÷ (VP + FP). Compare os denominadores das duas fórmulas.
- Altere uma célula de cada vez e observe todas as medidas.
- Abra Interpretação e depois as outras possibilidades de leitura das RVs.
Pergunte a si mesmo
- Sensibilidade começa pelas pessoas com doença ou pelas pessoas com teste positivo?
- VPP responde à mesma pergunta que sensibilidade?
- Qual célula precisa diminuir para aumentar a sensibilidade?
- Qual célula precisa diminuir para aumentar a especificidade?
Conclusão esperada: sensibilidade e especificidade começam pelo estado da doença; VPP e VPN começam pelo resultado do teste.
3Nomograma de FaganTransforme probabilidade pré-teste em probabilidade pós-teste
Objetivo: visualizar como a razão de verossimilhança atualiza a probabilidade de doença.
Faça passo a passo
- Na Simulação clínica, selecione um cenário e clique em RV+ ou RV−.
- Abra o Nomograma de Fagan.
- Defina a probabilidade pré-teste ou mantenha o valor trazido da simulação.
- Clique em Usar RV+ atual e observe a probabilidade pós-teste.
- Depois clique em Usar RV− atual.
- Mantenha a mesma RV e compare probabilidades pré-teste de 1%, 20% e 60%.
- Explique por que a mesma RV produz probabilidades pós-teste diferentes.
Pergunte a si mesmo
- Uma RV+ maior que 1 aumenta ou diminui a probabilidade?
- Uma RV− próxima de zero é útil para fazer o quê?
- O resultado do teste substitui a probabilidade pré-teste?
- Quando a probabilidade pós-teste seria suficiente para iniciar ou suspender uma conduta?
Conclusão esperada: o teste atualiza uma probabilidade anterior; ele não produz significado clínico isoladamente.
4Curva ROC e AUCExplore pontos de corte e discriminação global
Objetivo: diferenciar o desempenho de um ponto de corte da capacidade discriminatória global representada pela AUC.
Faça passo a passo
- Escolha o teste A e mova o ponto de corte para valores baixos e altos.
- Observe simultaneamente sensibilidade, especificidade, falsos positivos e índice de Youden.
- Clique diretamente nos pontos da curva ROC.
- Compare os testes A e B no mesmo ponto de corte.
- Identifique o ponto de maior Youden, mas não o trate automaticamente como melhor escolha clínica.
- Na seção “Da curva ROC à decisão clínica”, mantenha teste e corte fixos.
- Altere somente a prevalência de 0,4% para 15% e compare VPP e VPN. Observe que a AUC permanece igual.
- Abra a Bússola do ponto de corte ao final da aba.
Pergunte a si mesmo
- O que acontece ao diminuir o ponto de corte?
- A AUC pertence a um ponto ou à curva inteira?
- Um teste com AUC excelente pode apresentar VPP baixo?
- O maior Youden conhece as consequências clínicas de FP e FN?
Conclusão esperada: AUC mede discriminação global, mas não define sozinha o melhor corte nem o significado clínico de um resultado em determinada população.
5Múltiplos testesCompare a lógica E da série com a lógica OU do paralelo
Objetivo: compreender como a regra usada para combinar dois testes altera sensibilidade, especificidade, FP, FN e quantidade de exames.
Faça passo a passo
- Mantenha o exemplo geral e observe os parâmetros dos testes A e B.
- Comece pela estratégia em série — regra E.
- Leia a lógica: o resultado final somente é positivo quando A e B são positivos.
- Anote sensibilidade, especificidade, FP e FN combinados.
- Mude para paralelo — regra OU, sem alterar nenhum parâmetro.
- Compare novamente os erros e as aplicações de testes.
- Abra o exemplo de HIV e repita a comparação.
- Abra o quadro de fórmulas e leia o pressuposto de independência condicional.
Pergunte a si mesmo
- Por que a série reduz falsos positivos?
- Por que o paralelo reduz falsos negativos?
- Em qual estratégia basta um teste positivo?
- Em qual estratégia o teste B pode ser aplicado apenas aos positivos em A?
Conclusão esperada: série favorece confirmação e especificidade; paralelo favorece rastreamento e sensibilidade. A escolha depende do custo clínico dos erros.
Missões integradas
Missão 1 · Da população ao paciente
Descubra como prevalência, tabela e RV se conectam.
- Crie dois cenários na Simulação clínica mudando somente a prevalência.
- Importe um deles para a Tabela 2×2.
- Confira VP, FP, FN e VN.
- Use a RV no Nomograma de Fagan.
- Explique a probabilidade pós-teste em uma frase clínica.
Missão 2 · O ponto de corte
Relacione ROC, consequências e decisão.
- Na ROC, escolha um corte sensível e outro específico.
- Registre sensibilidade e especificidade de cada um.
- Reproduza esses valores na Simulação clínica.
- Compare os números de FP e FN em 10.000 pessoas.
- Justifique qual corte usaria para rastrear e qual para confirmar.
Missão 3 · Algoritmo de HIV
Observe por que rastreio e confirmação são etapas diferentes.
- Abra “Triagem” na Simulação clínica.
- Observe o VPP na prevalência de 0,4%.
- Abra o exemplo de HIV em Múltiplos testes.
- Compare série e paralelo.
- Explique por que um resultado reagente de rastreio precisa de confirmação.
Verifique se você compreendeu
Se a prevalência diminuir e o teste permanecer igual, o que acontece com VPP e VPN?
O VPP tende a diminuir e o VPN tende a aumentar. Sensibilidade, especificidade e razões de verossimilhança permanecem iguais no modelo.
Diminuir o ponto de corte geralmente produz qual troca?
Aumenta a sensibilidade e reduz a especificidade: menos pessoas com doença são perdidas, mas mais pessoas sem doença recebem resultado positivo.
Qual é a diferença lógica entre série e paralelo?
Na série, o resultado final positivo exige A positivo e B positivo. No paralelo, basta A positivo ou B positivo.
Uma AUC excelente garante VPP elevado?
Não. O VPP também depende da prevalência ou probabilidade pré-teste e pode ser baixo em populações nas quais a doença é rara.
Uso educacional: os cenários são simulações para aprendizagem e não substituem protocolos clínicos, validação local do teste ou julgamento profissional.
Guia para professores
Orientações passo a passo para planejar, conduzir e integrar as atividades do Laboratório de Testes Diagnósticos.
Primeiro uso: uma condução simples e segura
Projete o laboratório em um computador, apresente uma pergunta antes de modificar os controles e solicite previsões dos alunos. A ferramenta funciona melhor quando cada mudança é precedida por uma hipótese e seguida por uma explicação clínica.
Abra o laboratório, confira a projeção, teste os botões “Restaurar exemplo” e escolha quais módulos cabem no tempo disponível.
Altere somente uma variável por vez. Peça primeiro a previsão, depois revele o resultado e solicite uma justificativa.
Peça que um aluno traduza o número para uma frase clínica e outro identifique a consequência para FP ou FN.
Como utilizar cada aba em aula
1Simulação clínicaAula sobre prevalência, valores preditivos e frequências naturais
Objetivo docente: fazer os alunos diferenciarem propriedades do teste de medidas dependentes do contexto populacional.
Caminho de condução
- Abra a aba e clique em Restaurar exemplo.
- Apresente os três parâmetros: probabilidade pré-teste, sensibilidade e especificidade. Ainda não explique VPP e VPN.
- Pergunte: “Em 10.000 pessoas, onde vocês esperam encontrar mais erros: FP ou FN?”
- Leia com a turma a tabela e o mapa dos desfechos.
- Clique em VPP e solicite que um aluno leia a interpretação clínica.
- Guarde o cenário A. Reduza somente a prevalência de 15% para 1%.
- Peça que a turma indique o que deveria permanecer igual antes de revelar a comparação.
- Finalize com os exemplos de Triagem e Confirmação do HIV e abra as referências somente se precisar discutir as fontes.
Perguntas para os alunos
- Qual é o denominador da sensibilidade?
- Por que o VPP não é uma característica fixa do teste?
- Por que um resultado positivo em rastreamento não deve ser tratado automaticamente como diagnóstico?
- O que muda quando somente a prevalência muda?
Resposta a perseguir: prevalência modifica VPP, VPN e frequências; não modifica sensibilidade, especificidade e RV no modelo. Em doenças raras, FP podem superar VP.
2Tabela 2×2Aula sobre estrutura, fórmulas e direção das probabilidades
Objetivo docente: ensinar a origem das medidas e impedir a confusão frequente entre sensibilidade e VPP, ou entre especificidade e VPN.
Caminho de condução
- Construa primeiro a tabela no quadro: linhas representam o teste; colunas representam o padrão de referência.
- Solicite que os alunos nomeiem VP, FP, FN e VN antes de mostrar as fórmulas.
- Importe os dados da Simulação clínica para evitar digitação inicial.
- Peça a um grupo para calcular sensibilidade e a outro para calcular VPP.
- Compare os denominadores e formule as duas perguntas em linguagem clínica.
- Altere apenas FN e discuta o efeito sobre sensibilidade e VPN.
- Altere apenas FP e discuta o efeito sobre especificidade e VPP.
- Abra as interpretações das RVs ao final.
Perguntas para os alunos
- “Se o paciente tem a doença...” inicia qual medida?
- “Se o teste foi positivo...” inicia qual medida?
- Qual erro prejudica diretamente a sensibilidade?
- Qual erro prejudica diretamente a especificidade?
Resposta a perseguir: FN reduz sensibilidade; FP reduz especificidade. Sensibilidade condiciona pelo estado de doença, enquanto VPP condiciona pelo resultado positivo.
3Nomograma de FaganAula sobre raciocínio bayesiano e atualização diagnóstica
Objetivo docente: mostrar que o valor clínico do resultado depende do ponto de partida e da força informativa expressa pela RV.
Caminho de condução
- Apresente um caso breve e peça uma estimativa de probabilidade pré-teste.
- Na Simulação clínica, selecione RV+ e abra o Fagan.
- Mostre os três eixos: pré-teste, RV e pós-teste.
- Use RV+ e solicite uma interpretação da probabilidade pós-teste.
- Mantenha a probabilidade pré-teste e troque para RV−.
- Depois mantenha a RV e mude apenas a probabilidade pré-teste.
- Discuta limiares de testar, tratar ou afastar, sem apresentá-los como universais.
Perguntas para os alunos
- Dois pacientes com o mesmo resultado necessariamente terminam com a mesma probabilidade pós-teste?
- Qual RV é desejável para confirmar? E para afastar?
- O que acontece quando a RV é igual a 1?
- Em que momento a informação seria suficiente para mudar a conduta?
Resposta a perseguir: a RV multiplica as chances pré-teste. Uma RV igual a 1 não acrescenta informação; o contexto determina o ponto de partida e os limiares de decisão.
4Curva ROC e AUCAula sobre ponto de corte, Youden, discriminação e prevalência
Objetivo docente: separar quatro ideias: ponto de corte, troca entre sensibilidade e especificidade, índice de Youden e AUC global.
Caminho de condução
- Mostre que os testes A e B foram aplicados à mesma amostra.
- Escolha o teste A e mova lentamente o corte do menor para o maior valor.
- A cada movimento, peça aos alunos que antecipem o sentido da sensibilidade e da especificidade.
- Clique em um ponto da curva e mostre que ele representa um corte, não uma AUC própria.
- Compare as AUCs dos testes A e B e interprete discriminação global.
- Identifique o maior Youden e pergunte se ele conhece o custo clínico dos erros.
- Mantenha teste e corte e altere a prevalência de 0,4% para 15% na ponte clínica.
- Finalize com a Bússola do ponto de corte.
Perguntas para os alunos
- Por que diminuir o corte aumenta simultaneamente VP e FP?
- Uma AUC de 0,97 significa 97% de acertos?
- Por que a AUC não mudou quando a prevalência mudou?
- Como um teste excelente pode ter VPP baixo?
Resposta a perseguir: AUC representa a probabilidade de ordenação correta entre uma pessoa com e outra sem doença e resume todos os cortes; não corresponde à porcentagem simples de classificações corretas.
5Múltiplos testesAula sobre algoritmos em série e em paralelo
Objetivo docente: fazer os alunos explicarem por lógica, e não apenas por fórmula, por que a série aumenta especificidade e o paralelo aumenta sensibilidade.
Caminho de condução
- Apresente os testes A e B separadamente e solicite que a turma identifique qual é mais sensível e qual é mais específico.
- Selecione Série — E e leia a regra com os alunos.
- Pergunte o que uma pessoa sem doença precisa fazer para permanecer falso positivo: ser positiva nos dois testes.
- Compare a especificidade combinada e os FP com o teste A isolado.
- Troque para Paralelo — OU.
- Pergunte o que uma pessoa com doença precisa fazer para ser perdida: ser negativa nos dois testes.
- Compare sensibilidade, FN e número de exames.
- Use o exemplo de HIV para discutir rastreio seguido de confirmação e leia a ressalva sobre independência.
Perguntas para os alunos
- Qual conectivo lógico define a série?
- Qual conectivo lógico define o paralelo?
- Qual estratégia escolher se FN for o erro mais grave?
- Qual estratégia escolher se FP gerar tratamento tóxico?
Resposta a perseguir: série usa E, reduz FP e favorece confirmação; paralelo usa OU, reduz FN e favorece rastreamento. O ganho em uma dimensão possui um custo na outra.
Percursos combinados para uma aula
Percurso A · Fundamentos
Simulação → Tabela 2×2 → Fagan
- Comece com frequências naturais.
- Reconstrua as fórmulas na tabela.
- Leve a RV ao Fagan.
- Finalize com uma interpretação pós-teste.
Percurso B · Decisão clínica
ROC → Simulação → Múltiplos testes
- Escolha um corte para rastrear e outro para confirmar.
- Reproduza sensibilidade e especificidade na simulação.
- Mostre FP e FN em uma população.
- Combine os testes em série ou paralelo.
Percurso C · Caso HIV
Simulação → Tabela → Múltiplos testes
- Use Triagem com prevalência de 0,4%.
- Mostre que FP podem superar VP.
- Importe para a tabela.
- Use o preset HIV em série.
- Discuta por que confirmação é necessária.
Sugestões conforme o tempo disponível
| Tempo | Sequência sugerida | Produto dos alunos |
|---|---|---|
| 30 minutos | Simulação clínica: cenário A × prevalência baixa; interpretação de VPP e VPN. | Uma frase explicando por que o VPP mudou. |
| 50 minutos | Simulação clínica → Tabela 2×2 → interpretação individual. | Tabela preenchida, dois cálculos e duas frases clínicas. |
| 90 minutos | ROC → Simulação → Múltiplos testes. | Justificativa de corte e estratégia para rastreamento e confirmação. |
| 120 minutos | Percurso completo em grupos, com caso HIV e apresentação das conclusões. | Relato clínico contendo pré-teste, desempenho, erros, pós-teste e algoritmo. |
Estratégia de facilitação
Antes do clique, cada grupo registra o sentido esperado da mudança.
Um aluno opera a ferramenta; os demais procuram evidências na tabela, gráfico ou interpretação.
A turma conclui usando “porque”, relacionando o resultado ao denominador, à prevalência ou à regra lógica.
Cuidados: evite alterar vários parâmetros simultaneamente; não apresente o maior Youden como melhor corte universal; diferencie prevalência populacional de probabilidade pré-teste individual; e relembre que as simulações não substituem protocolos clínicos.